Simondon ganha o mundo

Esta é uma tradução do texto “Historique de la ‘simondialisation’”, originalmente publicado no site do Centre international des études simondoniennes (CIDES), no seguinte endereço: http://www.mshparisnord.fr/cides/index.php/menu-4.html.
TRADUTORES: Pedro P. Ferreira e Evandro Smarieri.

O termo “simondialização” é, originalmente, uma expressão espirituosa de Dominique Lecourt, que, após ter orientado a tese de Jean-Hugues Barthélémy entre 2000 e 2003, foi o responsável pela Habilitation à diriger des recherches [Habilitação para Dirigir Pesquisas] (HDR) de Bernard Stiegler. A expressão foi pronunciada como predição, durante a defesa desta HDR em 2007, no momento em que Stiegler, cuja obra já era internacionalmente conhecida, evocou um dos textos de Lecourt consagrados a Simondon (que Barthélémy publicou) e insistiu em sua ligação pessoal com o pensamento de Simondon, que era então objeto de uma (re)descoberta crescente, pelo menos na França, e rapidamente no resto do mundo. Escolhemos retomar esta expressão, que designou, por antecipação, o movimento internacional de (re)descoberta de um pensador, e nos propusemos repassar, aqui, as etapas dessa recepção – diferenciada, mas já exponencial – da obra de Simondon.

Etapa 1 : um “deserto” de trinta anos (1958 – 1988).
Os primeiros intelectuais de renome a ler e utilizar Simondon foram, nos anos 1960, Herbert Marcuse, Gilles Deleuze e Jean Baudrillard. Podemos certamente dizer que, entre eles e a publicação, por Stiegler, de seu La technique et le temps 1. La faute d’Epiméthée (Galilée, 1994), poucas obras ambiciosas se apoiaram sobre o pensamento de Simondon. Georges Canguilhem, que havia orientado a tese complementar de Simondon, Du mode d’existence des objets techniques (MEOT) – enquanto Jean Hyppolite orientou sua tese principal, L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information (ILFI) -, não parecia convencido, até o final, que havia, nela, um novo pensamento maior. Sem dúvida, a própria posição privilegiada de Canguilhem se tornou, no final, um obstáculo à sua lucidez sobre uma obra nascente, cujas imperfeições estruturais lhe dificultaram a percepção de que Simondon, na sua personalidade profundamente filosófica, estava habitado pela intuição criativa. Foi necessário aguardar 1964, portanto seis anos após a defesa da tese de Simondon, para que ILFI fosse publicada, de forma bastante incompleta, pela Presses Universitaires de France (P.U.F.) com o título L’individu et sa genèse physico-biologique (IGPB). Apesar de MEOT ter sido publicado pela Aubier no mesmo ano da defesa, na época (e na verdade até 1990) a questão da técnica era considerada, na França, por assim dizer, como “resolvida” por Marx e, depois, por Heidegger: eles foram os dois pensadores que permitiram “driblar” a questão. Portanto, a obra quase não foi lida, como suspeitaram, com razão, tanto Dominique Lecourt como Anne Fagot-Largeault, no filme Simondon  du désert, de François Lagarde (Hors-oeil éditions, 2012). Sem dúvida, a própria introdução do MEOT contribuiu para dissuadir numerosos leitores de seguir adiante na leitura. Encontramos, de fato, logo na primeira página, esta afirmação que deve provocar incompreensão: “a tomada de consciência dos modos de existência dos objetos técnicos deve ser efetuada pelo pensamento filosófico, que assumiu nesta obra um papel análogo àquele desempenhado pela abolição da escravidão e pela afirmação do valor da pessoa humana” (MEOT, p. 9). Numa época (1958) na qual, na França, o existencialismo sartreano se uniu ao marxismo para reservar ao Homem a “Existência” e a possibilidade de uma alienação – em parte causada, aos olhos de todos, pelo desenvolvimento técnico -, falar de “modos de existência” dos objetos técnicos e querer libertar as máquinas disso que Simondon chamou de sua “escravidão” ou de sua “servidão” – confirmando assim a comparação sugerida pelas linhas citadas – poderiam chocar, e nos surpreendem ainda hoje, sobretudo quando ignoramos que a servidão das máquinas é, segundo Simondon, a causa da “alienação psico-fisiológica” do próprio trabalhador – como ele explica no MEOT.

Mas Marcuse e Baudrillard tiveram a perspicácia de prosseguir na leitura da obra e compreenderam, pelo menos em certa medida, que havia ali algo que ainda merecia ser melhor pensado. Prova desta compreensão, certamente parcial mas bastante rara na época para não ser destacada, é L’Homme uni-dimensionnel Le système des objets – sabe-se, ademais, que a compreensão de Simondon por Ellul no Le système technicien (1977) é deplorável. Ora, enquanto Marcuse e Baudrillard utilizaram MEOT, Deleuze publicou uma resenha bastante elogiosa de L’individu et sa genèse physico-biologique (IGPB ; P.U.F., 1964), na qual se afirmava, de maneira quase explícita – dessa vez maior -, a influência que os conceitos de Simondon exerceram sobre ele, influência esta que foi analisada por Anne Sauvagnargues nos capítulos X e XII de seu livro, Deleuze, l’empirisme transcendantal (Paris, P.U.F., 2009). Vejamos o que, de fato, já escrevia Deleuze em 1966: “poucos livros, em todo caso, fazem sentir a qual ponto um filósofo pode, ao mesmo tempo, se inspirar na atualidade da ciência e, no entanto, retomar os grandes conceitos clássicos, transformando-os e os renovando. Os novos conceitos estabelecidos por Simondon nos parecem de extrema importância; sua riqueza e originalidade surpreendem e influenciam o leitor” (Gilles Deleuze, “Gilbert Simondon, L’individu et sa genèse physico-biologique“, Revue philosophique de la France et de l’étranger, vol. CLVI, n°1-3, p. 118). Deleuze será, por assim dizer, o único a fazer uso duradouro de Simondon, desde Différence et répétition e Logique du sens – ver aqui as “séries” 15 e 16 da obra – até as páginas 67 a 89 de Mille plateaux. Certamente, autores como Edgar Morin ou Bruno Latour leram IGPB e MEOT, respectivamente, e se inspiraram ocasionalmente neles, mas Simondon não chegou a se tornar uma referência explícita e obrigatória para Morin, que quer construir – centralmente – um enciclopedismo, ou para Latour, que quer pensar – secundariamente – o papel dos objetos técnicos nas relações humanas. Mesmo as entrevistas “Entretien sur la technologie” (1964) e “Entretien sur la mécanologie” (1968) (cujos links se encontram na seção “Partenariats/Liens/Contact” , do site do CIDES), registradas respectivamente por Yves Deforge na França e Jean Le Moyne no Québec, permaneceram muito confidenciais e não garantiram nenhuma divulgação do pensamento de Simondon. Em realidade, o período de 1960 até 1989 foi, para Simondon, como uma travessia do deserto que, excepcionalmente, sucedeu, em lugar de preceder, um justo reconhecimento coletivo.

Etapa 2: as premissas de uma (re)descoberta (1989-1993)
A publicação, 25 anos depois daquela do IGPB, de L’individuation psychique et collective (IPC ; Aubier, 1989) – dedicado à parte final da tese principal de Simondon – marcou as premissas de uma (re)descoberta do pensamento simondoniano. Este trabalho foi, no seio de sua obra, a primeira leitura de Stiegler, mas também de Barthélémy, e é a problemática desse mesmo IPC que será privilegiada pelo pequeno livro de Muriel Combes alguns anos mais tarde (Simondon, individu et collectivité, P.U.F., 1999). Breve por definição, o período propriamente dito das premissas da (re)descoberta da obra envolveu, então, como efeito dessa publicação do IPC, um novo – e ainda prioritário – interesse pelo MEOT. Foi publicada nesse período a primeira monografia consagrada a Simondon, o livro de Gilbert Hottois entitulado Simondon et la “culture technique” (1993). Foi também nesse período que os Cahiers philosophiques lançaram um número consagrado a Simondon (1990). Sendo praticamente só isso, se é verdade que é preciso sempre tempo para as redescobertas, sobretudo há aquelas que se parecem mais com descobertas.

Etapa 3 : a (re)descoberta francesa (1994-2008)
É a publicação da obra coletiva  Gilbert Simondon, Une pensée de l’individuation et de la technique (1994) que representa o verdadeiro ato de nascimento da (re)descoberta francesa da obra de Simondon. Trata-se dos Anais de um colóquio organizado dois anos antes no Collège International de Philosophie. Dele participaram Gilbert Hottois, René Thom, François Laruelle, Bernard Stiegler, Anne Fagot-Largeault, Jean-François Marquet, etc. Essa (re)descoberta francesa continuaria se amplificando até 2008, quando finalmente se tornou uma descoberta internacional com ajuda de alguns precursores (Pascal Chabot, Giovanni Carrozzini) que, desde o início dos anos 2000, trabalharam sobre a obra de Simondon. Os italianos (Carrozzini e depois Andrea Bardin),  notadamente se mostraram animados por uma vontade de exegese que, felizmente, encontrou aquela de Barthélémy. Lembremos assim, rapidamente, as etapas da (re)descoberta da obra de Simondon na França após a etapa inicial da publicação, em 1994, da obra coletiva acima citada:

1995
– Foi reeditado L’individu et sa genèse physico-biologique (éditions Jérôme Millon), acrescido do capítulo “Forme et substance”, que a edição de 1964 pela P.U.F. havia retirado de seu texto.

1999
Muriel Combes publicou Simondon, individu et collectivité pela P.U.F. Este pequeno livro oferece uma apreciação do conjunto teórico constituído pela epistemologia, ontologia e tecnologia de Simondon, privilegiando, no interior desse conjunto, a problemática psicossocial ou “transindividual” interna à ontologia, a fim de se abrir a considerações políticas que, em Combes, são animadas por um engajamento deleuze-foucaultiano. Esse engajamento se revelará plenamente em seu livro de 2012 – saído de sua tese de doutorado defendida em 2002 – : La vie inséparée. Vie et sujet entre bio-pouvoir et politique, Lille, ANRT.

2001
– Em janeiro de 2001 ocorreu o colóquio Simondon, une pensée opérative, organizado em Saint-Etienne pelo sociólogo Jacques Roux. Lá, Barthélémy e Vincent Bontems (que se encontraram um ano antes e que estavam então escrevendo suas teses) reencontraram Combes e Chabot, mas também Isabelle Stengers, em debates, às vezes animados, mas que motivaram entre eles, durante os anos seguintes, trabalhos de “defesa e ilustração” do pensamento simondoniano. Esses trabalhos começaram ainda em 2001, com a publicação do artigo “Relativité et réalité” (Revue de Synthèse), de Barthélémy et Bontems.

2002
– Foram publicados os Anais do colóquio de Saint-Etienne, com o título Gilbert Simondon, Une pensée opérative (Publications de l’Université de Saint-Etienne).

2003
Pascal Chabot publicou, pela Vrin, seu pequeno livro La philosophie de Simondon, na coleção dirigida por seu antigo orientador, Gilbert Hottois.
Barthélémy defendeu, em 14 de novembro, sua tese Sens et connaissance. A partir et en deça de Simondon (Université Paris VII – Denis Diderot), perante uma banca composta por Dominique Lecourt (orientador), Claude Debru (presidente), Françoise Balibar, Jean Gayon e Bernard Stiegler.

2004
– Foi publicado Deux leçons sur l’animal et l’homme.
Gilbert Hottois, publicou, pela Odile Jacob, suas aulas como professor convidado no Collège de France, com o título Philosophies des sciences, philosophies des techniques, consagrando a “Leçon 3” a Simondon.
– Jean-Marie Vaysse e Pierre Montebello organizaram, na Université de Toulouse II – le Mirail, a jornada de estudos La pensée de la technique entre Simondon et Heidegger (26 de março), onde interviram Stiegler, Barthélémy e Combes. Esta foi a primeira vez que Simondon foi confrontado sistematicamente, e durante toda uma jornada, com um dos maiores pensadores do século XX.
Bontems defendeu, sob orientação de Eric Brian no EHESS, sua tese de doutorado, na qual a epistemologia de Simondon é central.
– Enfim, a revista Multitudes consagrou um número a Simondon.

2005
– Foram publicados L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information (ILFI, éditions Jérôme Millon) – versão, enfim, integral da tese principal de Simondon, que até então havia sido dividida editorialmente em IGPB e IPC – e a coletânea de textos L’invention dans les techniques (éditions du Seuil). Estes foram dois fatos de grande importância para a (re)descoberta francesa da obra de Simondon, ainda mais por ILFI ter sido acrescido do texto “Histoire de la notion d’individu”, escrito por Simondon ao mesmo que suas duas teses.
Barthélémy publicou Penser l’individuation. Simondon et la philosophie de la nature, assim como Penser la connaissance et la technique après Simondon (Paris, L’Harmattan), ambos extraídos de sua tese, defendida dois anos antes. O conjunto dessas duas partes dessa “exegese polêmica” da obra de Simondon foi prefaciado por Jean-Claude Beaune, professor emérito da Université de Lyon III, que foi um dos primeiros a se interessar pela obra de Simondon.
Xavier Guchet, por sua vez, publicou Les sens de l’évolution technique (Paris, Léo Scheer), no qual Simondon e Leroi-Gourhan mereceram destaque como representantes do “evolucionismo técnico”.
– Enfim a revista Chiasmi Internacional consagrou uma boa parte de seu sétimo número – intitulado “Vie et individuation” – àquilo que, nos escritos de Merleau-Ponty (e notadamente nas notas inéditas em que Simondon é citado), permite estabelecer pontes com o pensamento de Simondon. Encontra-se o sumário no seguinte link: http://chiasmi.unimi.it/issue7_index.html

2006
– Foi republicado, em sua forma integral e unificada, o Cours sur la Perception (éditions de la Transparence).
– Por motivação de Barthélémy, a Revue philosophique de la France et de l’étranger consagrou um número a Simondon, no qual foi publicado pela primeira vez seu texto “Mentalité technique”.
Carrozzini publicou sua dissertação [mémoire de D.E.A.] Gilbert Simondon : per un’assiomatica dei saperi (Manni).

2007
– Foi publicada a tradução argentina do MEOT.
– O Centre Georges Canguilhem da Université Paris VII – Denis Diderot e o Collège International de Philosophie organizaram o colóquio Actualité de Simondon (16 de junho).
– No final de 2007, Barthélémy e Bontems organizaram, para Frédéric Worms, a jornada de estudos L’individuation de Simondon (15 de dezembro, E.N.S. Ulm).
– Barthélémy inaugurou, no MSH Paris-Nord, dois ciclos de seminários intitulados Simondon ou l’encyclopédisme génétique, que permitiram à comunidade simondoniana francesa – ainda restrita, mas crescente – se encontrar para discutir diferentes aspectos da obra de Simondon.

2008
– Foi republicado, sob forma integral e unificada, o curso Imagination et invention (éditions de la Transparence). Este importante lançamento suscitou, por sua vez, um novo interesse de pesquisadores provenientes, notadamente, do mundo da estética.
Barthélémy publicou Simondon ou l’encyclopédisme génétique pela P.U.F.
– Na MSH Paris-Nord, a revista eletrônica Appareil consagrou seu segundo número a Simondon, acessível no seguinte endereço: http://revues.mshparisnord.org/appareil/index.php?id=576
– Os historiadores das técnicas da Université Paris 1 – Panthéon Sorbonne organizaram a jornada “Masterclass” La pensée technique de Gilbert Simondon peut-elle être utile à l’historien ? (7 junho).
Jean-Yves Chateau publicou seu Vocabulaire de Simondon (éditions Ellipses).
Ludovic Duhem defendeu, sob orientação de Catherine Kintzler, sua tese sobre a estética e a teoria da imagem em Simondon (Université Lille 3), perante uma banca que reuniu Stiegler e Barthélémy.

Etapa 4 : a descoberta internacional (2009-2013)
2009
– Foi publicada a tradução argentina de ILFI.
– Barthélémy inaugurou, na MSH Paris-Nord, dois novos ciclos de seminários, intitulados Individuation et technique. Os seminários foram, a partir de então, vinculados ao Atelier Simondon, criado por Bontems na ENS Ulm, acolhendo ali todos os interessados em Simondon na França, e também no exterior (com destaque para a presença de doutorandos brasileiros e italianos). Foi também criada a revista Cahiers Simondon, dirigida por Barthélémy.
– Barthélémy foi solicitado a reler e corrigir a primeira tradução americana de Simondon, IPC, que seria publicada pela University of Minnesota Press, por estímulo de Bernard Stiegler e Samuel Weber, sendo os tradutores Arne De Boever, Gregory Flanders e Alicia Harrison, então doutorandos. Mas, a pedido dos detentores dos direitos, esta tradução americana não deveria ser publicada (e tampouco o prefácio de Stiegler e o aparato crítico estabelecido por Barthélémy) enquanto não fosse traduzido também o IGPB, a fim de manter, também na língua inglesa, a unidade da tese principal ILFI. Contudo, no início desta tradução de IGPB (2013), Arne De Boever (o único tradutor então ainda envolvido), não podendo mais contar com o apoio de Barthélémy (ao qual o editor americano não pôde mais recorrer), autorizou a editora a procurar outro tradutor para este trabalho. Não sabemos mais nada até o momento.
– A revista australiana-americana online Parrhesia consagrou um número especial a Simondon, que pode ser consultado no seguinte endereço: http://www.parrhesiajournal.org/past.htm

2010
– Foi publicada a coletânea de textos Communication et information (éditions de la Transparence).
– Bontems organizou, na ENS Ulm, a jornada de estudos L’individuation (19 janeiro).
– A revista Cahiers Simondon publicou, em maio, o seu número 2, no qual já se pode encontrar artigos de jovens pesquisadores italianos, brasileiros e americanos. No mesmo mês, a Université Américaine de Paris organizou o colóquio Simondon : tranduction, translation, transformation, no qual Anne Sauvagnargues (que havia publicado no ano anterior sua obra expondo, em detalhe, a herança simondoniana de Deleuze), fez sua entrada na comunidade simondoniana, por ocasião dos debates que ocorreram durante a segunda jornada.
Andrea Bardin, por sua vez, publicou sua tese – defendida no mesmo ano – com o título Epistemologia e politica in Gilbert Simondon. Individuazione, tecnica e sistemi sociali.
– Enfim, Guchet publicou Pour un humanisme technologique. Culture technique et société dans la philosophie de Gilbert Simondon (Paris, P.U.F.), que busca uma nova interpretação da relação entre as duas teses, principal e complementar, de Simondon.

2011
– Foi publicada a tese de Giovanni Carrozzini, defendida no ano anterior: Gilbert Simondon filosofo della “mentalité technique” (Mimesis/Centro Internazionale Insubrico, Milan).
_A revista Cahiers Simondon publicou seu número 3, no qual Barthélémy, em seu artigo “Quel mode d’unité pour l’oeuvre de Simondon ?”, responde à nova interpretação proposta por Guchet no seu livro do ano anterior.
– No outono de 2011, Barthélémy inaugurou dois novos ciclos de seminários, vinculados ao Atelier Simondon de Bontems, intitulados Culture et invention.
– Enfim, em dezembro de 2011, Baptiste Morizot defendeu, sob a orientação de Pierre-François Moreau, sua tese Hasard et individuation. Penser la rencontre comme invention à la lumière de l’oeuvre de Gilbert Simondon (ENS Lyon), com banca presidida por Sauvagnargues e reunindo, também, Barthélémy e o biólogo da ENS Ulm, Jean-Jacques Kupiec (Centre Cavaillès), autor de L’origine des individus (Fayard, 2008).

2012
– Foram publicadas a tradução alemã do MEOT e a tradução argentina de Cours sur la Perception.
– Foram publicados também a obra coletiva Gilbert Simondon. Being and Technology, primeira coletânea britânica sobre Simondon, e o número “Gilbert Simondon” da revista americana SubStance (University of Wisconsin Press).
– Os brasileiros do Grupo de Pesquisa Conhecimento, Tecnologia e Mercado (CTeMe) (ver nossos parceiros aqui) organizaram, em abril, o colóquio Informação, tecnicidade, individuação : a urgência do pensamento de Gilbert Simondon (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas).
– Na França, a revista Cahiers Simondon publicou, em maio, seu número 4, composto de quatro grandes artigos originais, sendo três deles de autoria de Barthélémy, Duhem e Morizot.
– François Lagarde lançou seu documentário Simondon du désert (éditions Hors-oeil), no qual Chabot conduziu entrevistas sucessivas com Carrozzini, Barthélémy, De Boever, Lecourt e Fagot-Largeault – tendo esta última sido assistente de Simondon durante um ano, e posteriormente introduzido seu pensamento em seus cursos no Collège de France. A revista Cahiers du cinéma consagrou um artigo ao filme de Lagarde, que foi em seguida exibido em diversos cinemas na França, depois na Alemanha, na Bélgica e nos Estados Unidos.
– Enfim, o UMR STL da Université Lille 3 e o CIEPFC-Cirphles (ENS-Ulm) organizaram, em novembro, o colóquio Simondon et la philosophie.

2013
– Foi publicada a tradução argentina de Imagination et invention, e foi reeditada a tradução argentina do MEOT.
– Os argentinos organizaram, ao final de abril, na Biblioteca Nacional de Buenos Aires, seu primeiro Coloquio Internacional Gilbert Simondon.
– O Cours sur la Perception foi editado na França pela P.U.F., e a Editions Jérôme Millon reeditou ILFI.
– A revista Cahiers Simondon publicou seu número 5, no qual Barthélémy estabelece um “Glossaire Simondon : les 50 grandes entrées dans l’oeuvre”.
– Em agosto desse mesmo ano ocorreu o colóquio internacional Gilbert Simondon et l’invention du futur, organizado por Barthélémy e Bontems no castelo de Cerisy-la-salle (Normandia) a convite do Centre Culturel International de Cerisy (CCIC). Ali se encontraram pesquisadores e doutorandos provenientes de uma dezena de países.
– Na Alemanha ocorreu o workshop Simondon and Digital Culture (Centre for Digital Culture, Leuphana University, Lüneburg), organizado por Yuk Hui com a ajuda de Erich Hörl.
– Enfim, Bernard Aspe publicou sua tese, defendida em 2001: Simondon, politique du transindividuel (Paris, Dittmar éditions).

Etapa 5: 2014 e depois…
2014
– Em janeiro de 2014 foi publicada a coletânea de textos de Simondon intitulada Sur la Technique (Paris, P.U.F.).
– Em junho, foi publicado o livro Simondon (Paris, Les Belles Lettres)de Barthélémy.
– Em dezembro do mesmo ano, o número 70 da revista Hermès publicou o balanço crítico estabelecido por Barthélémy a propósito da (re)descoberta internacional da obra de Simondon, intitulado “Simondon, ou le symptôme d’une époque. Chronique d’une redécouverte”.

2015
– Em fevereiro de 2015 foi publicado o número 6 da revista Cahiers Simondon, assim como a tradução inglesa da tese de Andrea Bardin.
– Em março a P.U.F. publicou três cursos de Simondon, reunidos sob o título Sur la psychologie.
– Em abril, Barthélémy e Bontems foram convidados para promover um estágio de professores de filosofia do ensino secundário da academia de Reims, consagrado ao pensamento de Simondon. Ao final desse estágio, os professores de filosofia reunidos comunicaram seu desejo de ver Simondon introduzido na lista dos autores do programa das “classes Terminales”.
– Em junho de 2015 o CIDES organizou sua primeira jornada de estudos anuais, cujo programa pode ser encontrado na nossa página “Présentation du Centre/Actualités”.
– Em julho Andrew Iliadis, da Purdue University, publicou [junto com Nandita Biswas Mellamphy, Jean-Hugues Barthélémy, Marc J. de Vries e Nathalie Simondon], na revista Philosophy & Technology (Springer), o “Book Symposium on Le concept d’information dans la science contemporaine“, obra que havia publicado os anais de um colóquio organizado por Simondon em 1962, no Centre de Royaumont, para introduzir na França um debate com a cibernética de Wiener. A apresentação deste Book Symposium por Andrew Iliadis pode ser encontrada em: http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs13347-015-0205-z#page-1. Em seguida, o CIDES integrou Andrew Iliadis à sua equipe, em razão do número e da qualidade de seus trabalhos sobre Simondon. Depois, em setembro, pelas mesmas razões, foi a vez de Yuk Hui, pós-doutorando na Leuphana Universität Lüneburg.
Yuk Hui lançou, em novembro de 2015 e com a cumplicidade de Erich Hörl, a coleção “After Simondon” na editora Meson Press. O primeiro livro dessa coleção é o par de ensaios de Barthélémy intitulado Life and Technology: An Inquiry Into and Beyond Simondon : http://meson.press/books/life-and-technology/
– Foi publicada, na Argentina, a obra coletiva Amar a las máquinas. Cultura y técnica en Gilbert Simondon, pela editora Prometeo. Pablo Rodriguez, membro do CIDES e tradutor de Simondon, estava entre os editores dessa obra, que reuniu notadamente traduções argentinas de textos de quatro membros do CIDES.

2016
– Em janeiro de 2016 foram publicados, na revista online Appareil e com a organização de Barthélémy, os Anais da primeira Journée d’étude annuelle do CIDES (realizada em junho de 2015), com o título “Individuer Simondon. De la redécouverte aux prolongements” : https://appareil.revues.org/2205
– Em fevereiro Yuk Hui publicou seu livro On the Existence of Digital Objects (University of Minnesota Press), onde Simondon e Heidegger são confrontados um com o outro.
– Entre 4 e 7 de abril, o programa diário “Les Nouveaux Chemins de la Connaissance”, na rádio France Culture, foi consagrado à apresentação dos grandes aspectos da obra de Simondon. As gravações podem ser encontradas no seguinte link: https://www.franceculture.fr/emissions/les-nouveaux-chemins-de-la-connaissance/gilbert-simondon
– Ainda em abril, a editora Klincksieck publicou, sob direção de Vincent Bontems, os Anais do colóquio internacional de Cerisy de 2013, com o título Gilbert Simondon ou l’invention du futur. A apresentação e o sumário podem ser encontrados em nossa página “Présentation du Centre/Actualités”.
– Em maio de 2016 Simon Mills publicou sua tese pela Rowman & Littlefield, com o título Gilbert Simondon: Information, Technology and Media.
– Ainda em maio, o CIDES organizou sua segunda Journée d’étude annuelle, intitulada “Technique et technoscience après Simondon”. Os Anais dessa jornada, cujo programa pode ser encontrado em nossa página “Présentation du Centre/Actualités”, devem ser publicados online no dossiê “Penser la technique après Simondon”, encomendado a Barthélémy pela revista Implications philosophiques ;
– Ainda em maio, a revista althusseriana online Demarcaciones publicou um dossiê consagrado a Simondon, que pode ser encontrado no link: http://revistademarcaciones.cl/numero-4/
– Em julho de 2016 a editora Vrin publicou o livro de Baptiste Morizot: Pour une théorie de la rencontre. Hasard et individuation chez Gilbert Simondon, com um prefácio de Jean-Hugues Barthélémy.
– Enfim, em setembro de 2016, a P.U.F. prosseguiu sua edição póstuma da obra de Simondon, publicando a coletânea de textos intitulada Sur la philosphie.
– Em novembro o CIDES, publicou, na revista Implications philosophiques, o dossiê “Technique et technoscience après Simondon” que é proveniente de sua jornada de estudos de 2016. A sua apresentação pode ser encontrada no seguinte link: http://www.implications-philosophiques.org/actualite/une/technique-et-technoscience-apres-simondon/

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