Simondon e a Filosofia da Informação

Saiu publicado no Journal of French and Francophone Philosophy deste ano (2015), uma entrevista com Jean-Hugues Barthélémy, do centro internacional de estudos simondonianos, intitulada “Gilbert Simondon and the Philosophy of Information“, e realizada por Andrew Iliadis (autor de New Individuation: Deleuze’s Simondon Connection).

Ao abordar sua produção de 4 livros sobre a obra de Simondon, Barthélémy apresenta seu método de exegese – mais que interpretação -, apontando a contribuição de Simondon na superação do pensamento em oposições clássicas, nomeada por Barthélemy de “genetic encyclopedism” e “difficult humanism”.

Ao ser questionado sobre a emergência do pensamento de Simondon nos últimos anos, argumenta que L’Individuation Physique et Collective foi publicada pela primeira vez apenas em 1989, e que essa é a origem da descoberta de seu trabalho. Entre os interesses na obra de Simondon, destaca os leitores de Deleuze, e inclui os EUA, o Canadá e a França, mas também o Brasil e a Argentina (vide a page eventos deste site). Comenta que o primeiro trabalho relevante sobre Simondon foi escrito por Muriel Combes ( Simondon, Individu et collectivité – Pour une philosophie du transindividuel), e tece elogios ao italiano Andrea Bardin, autor da tese Individuazione, Tecnica e Sistemi Sociale – Epistemologia e Politica in Gilbert Simondon, e outros autores de papers publicados no Cahier Simondon.

A entrevista segue buscando estabelecer o lugar de Simondon na filosofia, que desde Kant, segundo Barhélémy, viria seguida de duas linhas (Fichte/Husserl/Heidegger/Derrida e Schelling/Bergson/Simondon/Deleuze) onde Simondon seria o pensador que se opõe, em vários aspectos, a Heidegger.

Sobre o diálogo de Simondon com Norbert Weiner em torno da cibernética, define a contribuição de Simondon como sendo menos uma cibernética que um “esforço para construir um conceito sistêmico de informação“. Comenta também o evento de 1962,  organizado em Royaumont, onde Simondon participou como organizador e conferencista, mas pouco participou nas discussões, tendo servido mais para introduzir Weiner e outros na França do que para estabelecer de fato um debate em torno das questões sobre teoria da informação.

A entrevista segue ainda com importantes e atuais referências que vêm sendo produzidas sobre a obra de Simondon, sua atualidade para pensar a dicotomia sujeito x objeto, e afirma categoricamente que sua “ontologia é informacional”: para Simondon, a “informação é a fórmula da individuação”.

Transcrita ao longo de doze páginas, a entrevista de Barthélémy é um convite à navegação nos escritos do filósofo da informação, ao mesmo tempo que um mapa dos temas e perspectivas que podem ter, com Simondon, um inovador e interessante rendimento nos estudos sobre o social, comunicação e filosofia.

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